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Warhol começou a produzir
as suas serigrafias num estúdio a que chamou "The Factory".
A sua primeira Factory abriu em 1963 na East 47th street, em Nova
Iorque. O espaço, pintado de prateado e forrado a folha de alumínio
por um seu frequentador assíduo, Billy Name, transformou-se num
ponto de encontro para artistas, pessoas da alta sociedade, celebridades
e membros da vanguarda nova-iorquina. Warhol comprou, então, uma
câmara de filmar de 16mm e, entre 1963 a 1967, a Silver Factory
transformou-se num estúdio de cinema onde Warhol e os seus colaboradores
realizaram mais de quinhentos filmes. Muitos deles ignoraram os
métodos tradicionais de realização e consistiam em cenas filmadas
sem estrutura nem guião. Personalidades tão diversas como a modelo
Edie Sedgwick e o poeta Taylor Mead e Susan Hoffman participaram
nesses filmes e ficaram conhecidos como "Superstars".
As actividades culturais de Warhol não se restringiram
às artes plásticas e a o cinema. Em 1965, declarou publicamente
que abandonava a pintura e partiu em busca de novas formas de esbater
as convenções tradicionais das Belas-Artes. No ano seguinte, foi
manager do célebre grupo musical, os The Velvet Underground,
e produziu uma série de "happenings" multimédia intitulados
"Exploding Plastic Inevitable" que eram uma verdadeira
mistura de performance, cinema, dança e música. Enquanto os The
Velvet Underground tocavam, filmes e luzes de várias cores eram
projectados sobre o grupo. Simultaneamente, os Superstars Gerard
Malanga (poeta e assistente de Warhol ) e Mary Woronov executavam
a "Whip Dance" (dança do chicote), estimulados pelas as
letras sadomasoquistas de algumas canções dos The Velvet Underground.
Em 1968, pouco depois de a Factory se mudar
para a Union Square West, Warhol foi alvejado e gravemente
ferido por Valerie Solanas, uma mulher que participara
num dos seus filmes. Depois de recuperar, Warhol passou
a dedicar-se menos à realização de filmes e mais a outro
tipo de intervenções. Uma das suas novas ideias era
a publicação da revista Interview, que surgiu
como uma revista mensal sobre o cinema, mas que se transformou
numa revista de sociedade que retractava a vida de celebridades
amigas de Warhol como Mick Jagger, Halston e Truman
Capote. A sua associação a essas figuras fez disparar
o número de retratos encomendados por membros da alta
sociedade da década de 70. Para esses quadros, em vez
das tiras de fotografias instantâneas que usara nos
anos 60, Warhol criava retratos lisonjeadores dos modelos
a partir de polaroids tiradas por si ou pelos seus assistentes.
Em 1974, Warhol mudou o seu estúdio para o nº860 da
Broadway, sede da última fase da sua produção. Nessa época, a obra
de Warhol dedicou-se a símbolos de grandes significado psicológico
ou político. A partir de 1972, começou a reproduzir a fotografias
do dirigente chinês Mao Tse-Tung, habitualmente utilizada nos meios
de comunicação, repetindo-o em diferentes suportes, desenhos, pinturas
e papel de parede. Em 1976, criou uma série de desenhos, os Skulls
(Crânios), uma espécie de "memento mori" actuais. Em seguida,
regressou a outros emblemas de valores económicos e ideológicos,
como a Foice e Martelo comunistas de 1976-77 e o Símbolo
do Dólar americano de 1981, num comentário à propagação desses
símbolos e à importância de que se revestiam.
A partir dos finais dos anos 70 e até à sua morte,
Warhol dedicou-se à exploração de imagens abstractas e investigou
as possibilidades inerentes a imagens inteiramente não-figurativas.
As obras abstractas de Warhol têm, em geral, uma fonte reconhecível,
mas que se torna ambígua devido à manipulação da imagem. É o que
se passa com a série de 1982, Zeitgeist, na qual imagens
de monumentos e estádios alemães são reduzidos a padrões quase indecifráveis.
Mesmo os quadros Rorschach de 1984, a sua versão do teste
psiquiátrico do borrão de tinta - imagens inversas que Warhol obtinha
dobrando ao meio as próprias telas - situam-se entre a abstracção
e a imagem legível.
Fascinado pelo acto de registar e documentar, Warhol
fez a crónica de todos os aspectos da sua vida e do seu trabalho
utilizando um gravador áudio e mais tarde uma câmara de vídeo, referidas
como The Factory Diaries (Diários da Factory), datam de 1965.
Em finais dos anos 70 e 80, trabalhou como produtor de televisão,
criando os programas para televisão por cabo, Fashion (moda),
Andy Warhol´s T.V. (A T.V. de Andy Warhol) e Andy Warhol´s
Fifteen Minutes (Os 15 Minutos de Andy Warhol). Estes programas
comprovavam o interesse de Warhol por diversas áreas, da moda à
música, e apresentavam personalidades da cultura popular, desde
a estilista Betsey Johnson à cantora Debbie Harry ou à super modelo
Jerry Hall.
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